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Transtornos Infância

Esta Página tem por objetivo, oferecer ao leitor, de maneira breve e esquemática, alguns transtornos psicopatológicos que podem incidir na infância e adolescência.  

É uma forma de se perguntar: o que eu deveria saber sobre ___(?)___ antes de me aprofundar nas pesquisas científicas. Os transtorno são apresentados por ordem alfabética.
Gostaria de enfatizar que ao final dos transtornos, existe uma série de referências bibliográficas acadêmicas onde nos baseamos para a execução deste breviário.

Introdução

Desenvolvimento infantil: maneiras quantitativas e qualitativas pelas quais as crianças se modificam no decorrer do tempo.

Desenvolvimento neurológico: várias etapas do desenvolvimento neuropsicomotor da criança refletem o desenvolvimento de seu sistema nervoso central. Essas modificações são resultantes da interação entre forças internas, de natureza genética, e externas, que dependem do meio ambiente e o resultado final é o que determina o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM).

Na avaliação do DPNPM devemos levar em conta:
_ idade da criança
_ história clínica detalhada dos antecedentes
_ tipo de parto
_ fator nutricional
Desenvolvimento Cognitivo – Piaget: é possível conceber a cognição como um processo mental ativo encarregado da construção e organização do conhecimento ao longo da vida, constituído e responsável pela atividade simbólica, na constante interação com o ambiente.
A atividade simbólica pode ser compreendida como a representação das experiências, uma capacidade de abstrair as informações provenientes das ações que a criança realiza desde quando nasce e que se modificam com o decorrer dos anos.
O desenvolvimento cognitivo diz respeito às mudanças que ocorrem na organização, no funcionamento do pensamento da criança, no que tange à compreensão de mundo, agindo sobre ele, ao conhecimento que constrói a partir de possibilidades, capacidades e as estratégias e hipóteses que formula nessas interações.
Desenvolvimento cognitivo, no modelo proposto por Piaget (4 estágios):
- sensório motor:      0-24 meses
- pré-operatório:  24-6 ou 7 anos    } época ainda do fazer junto
- operatório concreto:  7-12 anos
- operações formais: 12 anos          } prova dos nove – reversibilidade / conta de cabeça
Transtorno: é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente
reconhecíveis, associado, na maioria dos casos, a sofrimento e interferência com funções pessoais.

Transtorno Invasivo de Desenvolvimento
É caracterizado por anormalidades qualitativas – interações, padrões sociais recíprocas, repertório de interesses e atividades restritas, estereotipadas e repetitivas. Variam de grau – o desenvolvimento é anormal desde a infância, se manifestando nos primeiros 3 a 5 anos de vida. É usual, haver algum grau de comprometimento cognitivo.


Transtorno Autista
O autismo infantil é um distúrbio de desenvolvimento com bases neurobiológicas que afeta 2 em cada 1000 indivíduos e cuja incidência é maior no sexo masculino, na proporção de 4:1. É possível que haja mais de uma causa para esta predominância nos meninos, e uma delas seria a presença de elevados níveis de testosterona.
O autismo infantil pode ser considerado um distúrbio do desenvolvimento, caracterizado por um quadro comportamental peculiar e que envolve as áreas da: interação social, da comunicação e do comportamento, em graus variáveis de severidade. O diagnóstico é clínico.
Quadro clínico
Envolve 3 sintomas primários:
 Relações interpessoais: falta de responsividade a outras pessoas, vivem em seu próprio mundo, quando bebês não choram ao serem deixados sozinhos, não sorriem, quando pegas no colo, não se aninham e ficam flácidas ou rígidas.
Mantém tudo da mesma forma, e qualquer mudança causa aborrecimentos. Há ausência ou grande prejuízo no contato visual, as expressões faciais pobres e não fazem a leitura da expressão facial do outro, não gostam de olhar fotos, não valorizam as amizades e apresentam dificuldade em compartilhar prazer e desconforto.
 Comunicação: são pobres na linguagem, mesmo em idade superior a 5 anos, dificultando o relacionamento inter-pessoal. Podem apresentar ecolalia (repete o que foi dito, porém sem compreensão), inversão de pronome (ele,ela,você X eu ou mim). O ritmo da fala é acentuada, a compreensão da fala é prejudicada. Apresentam dificuldade de compreender metáforas e sentido figurado (exemplo: chover canivete, mesada).
 Comportamento, interesses e atividades: ficam sozinhos durante horas, demonstram olhar fixo, giram brinquedos, produzem gestos ritualísticos com os dedos e as mãos (flapping), gritam, e não incomum, mostram comportamento de auto-mutilação. Exibem interesse em determinadas áreas, podendo se tornar um especialista. É forte o apego a rotinas. A criança autista com bom rendimento intelectual, quando tona-se adulto, pode desenvolver uma vida independente, mas continuará solitária, com dificuldade de comunicação e raramente constituirá família.
Tratamento: não tem cura, porém, o tratamento auxilia a reduzir comportamentos anormais e minimizar os prejuízos e melhorar a qualidade de vida.
O tratamento é multidisciplinar: médico, psicológico, fonoaudiológico, fisioterápico, ocupacional e abordagem familiar. Quanto ao uso de medicações, os mais empregados são os neurolépticos.



Transtorno de Aspeger
A síndrome de Aspeger é um transtorno caracterizado por anormalidades quantitativas, semelhante ao transtorno autista, com incidência maior nos meninos (8:1). A sintomatologia pode ser observada já nos primeiros meses ou anos de vida (em alguns casos). Porém, podem explodir sintomas na fase da adolescência ou no início da fase adulta, mediante um estímulo, como fracasso escolar ou alguma patologia psiquiátrica. A causa do problema é desconhecida, mas acredita-se que sua origem seja a mesma do autismo. O diagnóstico é clínico
Quadro clínico
Envolve 3 sintomas primários:
 Interação social: enquanto bebê pode mostrar-se quieto e isolado. Não procura contato com os pais. Quanto mais velha maior o isolamento. Não fazem amigos e parecem não se importar com isso, devido a dificuldade em conhecer e utilizar as regras sociais. Cerca de 20% dos pacientes, apresentam algum rebaixamento intelectual e pouca criatividade. Possuem boa memória, podem apresentar dificuldade para leitura e escrita.
 Desenvolvimento motor: o ritmo pode ser normal ou apresentar algum atraso. Costuma ser desajeitado. Em alguns casos o desenvolvimento da linguagem pode ser normal e com extenso vocabulário. Sua fala é pedante e elevada para a idade. A fala é artificial e não espontânea. Fala como se estivesse recitando ou tivesse decorado um discurso – vocabulário não esperado para a idade. Os gestos são amplos, desajeitados e fora do contexto. NÃO se comunica com o olhar.
 Comportamento: não há evitamento do olhar e não entende expressões faciais dos outros. Quando pequenos, apresenta movimentos esteriotipados: flapping, movimentos de girar objetos, girar o corpo no próprio eixo, movimentos de balanceio. Demonstram onipotência – só eles detêm a verdade.
 Interesses: se dedicam a poucos assuntos: astronomia, geografia, tabelas de horários, língua estrangeira, cálculos. Podem discorrer horas sobre o assunto, mesmo sem o interesse de quem ouve – lêem e decoram tudo.
Tratamento: idem ao transtorno de autistas



Transtorno do Défcit de Atenção e Hiperatividade (TDAH):
O termo transtorno é utilizado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível e associado, na maior parte das vezes, a sofrimento e interferência nas funções e relações pessoais, ou seja, com o outro.
O TDAH é um transtorno psiconeurocomportamental freqüente na infância nos dias atuais e carrega diferentes níveis de déficitis: atenção, hiperatividade, impulsividade, alteração na dinâmica e convívio familiar e social, bem como, do rendimento escolar, desenvolvimento emocional e da autoestima. Todavia,nem toda criança com TDAH tem problemas escolares.
Em uma parte do indivíduos, os sintomas persistem a vida toda e levam a graus variados de comprometimento.
As causas não são claras, mas podem estar associadas a alteração do vinculo inicial mãe-bebê, a genética, ao ambiente desfavorável (substâncias ingeridas durante a gravidez, como álcool e tabaco), ao sofrimento fetal, a prematuridade e outras.
A taxa de prevalência nos EUA em crianças de idade escolar é de 3% a 5% e no Brasil é cerca de 3,3%. Nos adolescentes a prevalência pode oscilar em 5,8%. Os estudos mostram que a grande maioria das crianças com TDAH ingressam na idade adulta com os sintomas, quando não controlados terapeuticamente.
O TDAH se caracteriza por uma dificuldade em manter os níveis necessários de atenção, impulsividade e inquietude motora e psíquica, levando a comprometimento de alguns aspectos da vida de relação. Pode estar associado a outros transtornos, tais como: depressão infantil, agressividade e rebeldia e até mesmo com dificuldades na linguagem.
Para a neuropsicologia, de todas as funções cognitivas, a atenção é provavelmente aquela que mais se torna comprometida em alterações cerebrais, independente de sua localização. Isso ocorre devido ao fato do sistema atentivo ser tão complexo, envolvendo múltiplas vias cerebrais e outras tantas estruturas neuronais.
Fatores neurobiológicos do TDAH
Esses fatores são baseados: na imaturidade cerebral (o processo maturacional do cérebro ocorre do nascimento até cerca de 2 anos – podendo “sobrar” ilhas de imaturas), sistemas atencionais deficientes e alteração nos neurotransmissores.
O TDAH pode estar associado a algumas co-morbidades: ansiedade, depressão, transtorno de conduta anti-social, tiques, transtorno de humor, abuso ou dependência de drogas
Quadro clínico

Como mencionamos anteriormente, está centrado na redução da atenção, na hiperatividade, na impulsividade, na alteração na dinâmica e no convívio familiar e social, bem como, do rendimento escolar, do desenvolvimento emocional e da autoestima. Todavia nem toda criança com TDAH tem problemas escolares. Dentre os sintomas mais evidentes no dia a dia da criança/adolescente podemos citar:
Desatenção / hiperatividade / impulsividade:
 não presta atenção a detalhes e erra por descuido
 não ouvem quando lhe falam diretamente
 é desorganizado
 distrai-se facilmente
 está sempre no mundo da lua
 irrequieto com as mãos e pés quando sentado
 sempre agitado, parece elétrico
 tem dificuldade em esperar sua vez
 é tido como chato
Tratamento

O tratamento envolve uma abordagem múltipla, englobando intervenções psicossociais e psicofarmacológicas quando necessário.

Na área psicossocial, o fator educacional englobará a criança, os pais, os professores e os cuidadores, com enfoque psicopedagógico. Na área psicoterápica, a principal área de trabalho será os vínculos afetivos, seguido de orientação de pais e terapia familiar. Por fim, a área farmacológica pode ser necessária. Entre as drogas utilizadas a de maior repercussão na área médica é o metilfenidato (Ritalina), embora outras também possam ser empregadas: atomoxetina, tofranil e outras.


Transtorno Desafiador Opositivo (TOD)
O TOD pode ser definido como um padrão persistente de comportamentos inadequados, tais como: negativismo, hostilidade, desafiadores e desobedientes. As interações disfuncionais são identificadas principalmente nas relações das crianças com figuras de autoridade: pais, tios, avós, professores e adultos.
As principais características comportamentais são: perda freqüente de paciência, discussões desmedidas com adultos, desafio, recusa-se a obedecer solicitações ou regras, perturbação e implicância com as pessoas, não assume seus erros e responsabiliza o outro por eles. Frequentemente se aborrece com facilidade (pavio curto), está usualmente enraivecido, irritado, recentido, rancoroso e com idéias de vingança. Esses comportamentos podem aparecer em vários ambientes, sendo mais evidente em sala de aula e no lar.
A ocorrência é maior em meninos que em meninas.
Essas crianças e adolescentes apresentam baixa autoestima, baixa tolerância a frustração, humor deprimido, ataques de raiva ou fúria, além de possuírem poucos amigos (devido ao comportamento desajustado). Na escola discute e enfrenta os professores e colegas, recusa-se a trabalhar em grupo, não aceita ordens, recusa-se a pedir ajuda ao professor ou figura de autoridade. Não costuma realizar as atividades escolares, não aceita crítica, quer tudo a seu modo – é o esquentado da turma. É usual perturbar os colegas de classe e responsabiliza os outros por seu comportamento.
Muitos autores consideram o TOD como antecedente evolutiva do transtorno de conduta (adulto).
Padrão Familiar
Parece que o transtorno é mais comum em famílias onde um dos pais tem história de transtorno de humor, TOD, TDAH, transtorno de conduta e drogadição. É incidente em famílias com sérios conflitos conjugais.
Causas
 Crianças com dificuldade em se acalmar, estabelecendo o comportamento de oposição,
 Pais imaturos, com dificuldade de estabelecer regras e limites a criança,
 Pais instáveis emocionalmente falando e hostis,
 Crianças expostas a ambiente doméstico caótico e problemático,
 Crianças expostas a lares opressores de normas demasiadamente rígidas, regada a agressividade, hostilidade e brigas constantes,
 Crianças que vivem em lares onde os pais não conseguem estabelecer limites aos filhos.
Tratamento
É baseado em três grandes pilares: psicológico, psicopedagógico e medicamentoso.
Psicológico: A criança / adolescente apresenta a necessidade de realizar psicoterapia individual, em grupo e oficinas terapêutica, sendo a última muito empregada nos dias atuais e com bons resultados.
Os pais também precisam receber orientações em como manejar a problemática e formas mais eficazes e assertivas em lidar com o jovem.
A terapia familiar também é muito importante.
Psicopedagógico: tanto a criança / adolescente como os pais precisam de orientação em relação a escolaridade do filho e formas de acompanhar o desenvolvimento educativo do filho.
A prática esportiva também é recomendada, tendo em vista que as atividades esportivas auxiliam na socialização e na introjeção de regras, disciplina e respeito ao próximo.
Medicamentos: a utilização de medicamentos vai depender se em conjunto com o TOD existe co-morbidades, tal como, TDAH.


Transtornos do Sono
Por muito tempo, pensou-se que o sono seria um período para uma reposição calma e pacífica da energia consumida pelo indivíduo durante o estado de vigília. Atualmente é conhecido que o sono é um estado ativo, governado pelos sistemas neurais do diencéfalo e do tronco cerebral.
O sono é uma perda reversível e periódica da consciência, com redução das funções sensoriais e motoras que ligam o cérebro ao meio ambiente.
Segundo dados de literatura, o sono participa de funções importantes no indivíduo, tais como: auxilia nos processos de maturação do Sistema Nervoso Central (SNC) nos primeiros anos de vida, facilita a conservação de energia, permite a reposição de neuro-transmissores, auxilia na remodelagem de sinapses no SNC, modula a sensibilidade de receptores no SNC e participa de processos de consolidação da memória.
*Sono não REM: é predominante numa noite (ocupa cerca de 75% a 80% do tempo total do sono) – é dividido em 4 estágios que representam a profundidade do sono:
Primeiro estágio: é um estado de sono leve e dura poucos minutos.
Segundo estágio: caracteriza-se pelo aparecimento de ondas agudas e de alta voltagem e pelos fusos de sono.
Terceiro estágio: chamado de sono de ondas lentas. Nesse período o tônus muscular está diminuído, mas não ausente.
*Sono REM: caracterizado por movimento ocular rápido – é nesse período que sonhamos.
Além dessas informações, os principais neurotransmissores envolvidos no sono/vigília são:
- Serotonina: relacionado com a regulação do sono
- Noradrenalina: relacionado com o controle dos padrões normais de sono
- Acetilcolina: participa do sono REM
- Dopamina: atua no estado de alerta
Portanto, medicamentos que estimulam a dopamina tendem a produzir insônia e excitação e os medicamentos que bloqueiam a dopamina tendem a aumentar o tempo de sono.
De acordo com a International Classification of Sleep Desorders, o sono patológico pode ser dividido em : dissonias, parassonias, distúrbios associados a doenças clínicas e psiquiátricas e outros.
 Dissonias: grupo de doenças que produzem insônia ou sonolência excessiva, – Exemplo: apnéia do sono
 Parassonias: movimentação ou comportamentos bizarros que ocorrem durante o sono profundo.
 Sonambulismo: distúrbio do sono caracterizado por manifestações motoras automáticas em vários graus que ocorre durante os estágios 3 ou 4 do sono REM.
 Terror noturno (TN): distúrbio do sono incidente em crianças durante os estágios 3 ou 4 do sono REM. A criança corda subitamente e agitada – e, geralmente ao acordar, no dia seguinte, não se lembra do fato. O TN não guarda associação com o pesadelo. No pesadelo a criança desperta e no terror noturno, não. Causa sofrimento e prejuízo social para o indivíduo. A causa é desconhecida.
 Pesadelos: eles são muito comuns em crianças na faixa etária entre 3 a 6 anos. Durante o pesadelo, algumas crianças parecem dormir calmamente, enquanto outras falam ou gemem. Certas crianças acordam subitamente e ansiosas, com a lembrança do pesadelo muito marcante e assustadora. O desconforto causado pelo pesadelo pode gerar a criança insônia secundária (medo de dormir)
 Bruxismo: movimento involuntário dos músculos da mastigação, que podem levar a problemas dentários, da musculatura facial – cervical, cefaléia, e outras queixas.
Tratamento
Psicoterapia, relaxamento progressivo e técnicas de biofeedback, mudança de estilo de vida, higiene do sono, entre outras.
Medicamentoso: drogas que promovam a indução do sono


Enurese Noturna (xixi na cama)
É a eliminação involuntária de urina com características de micção normal, durante o sono, em crianças com o trato urinário íntegro, em idade em que o controle esfincteriano está habitualmente presente. Considera-se que a partir de 5 anos de idade a maioria das crianças já tem controle miccional.
Ocorre numa proporção de 3 meninos:2 meninas e pode ser classificada em enurese primária: a criança sempre teve enurese e nunca apresentou período prolongado de continência noturna. Secundária: a criança volta a apresentar enurese após um período de controle miccional de, pelo menos, seis meses.
Causas
atraso da maturação neurológica: uma demora na encefalização do controle da bexiga associado ao esfíncter (rolhinha) e pode estar associado com outros distúrbios maturacionais, tais como, demora para falar, andar, controle anal, etc. A resolução se dá com o passar do tempo.
 distúrbio do sono: não muito aceito
fatores psicológicos: tensão psicológica: separação dos pais, nascimento de irmão, mudança de residência ou escola, hospitalização, cobranças acentuadas em hábitos de higiene e conduta comportamental e etc.
fatores orgânicos: é comum a criança com enurese ter obstipação intestinal (intestino preso), reduzindo a capacidade vesical.
fatores genéticos: a hereditariedade está bem documentada, sendo que, se ambos os pais tiveram enurese, a probabilidade da criança em ter o distúrbio é de cerca de 80%, caindo para 40% se só um dos pais tiveram enurese (portanto uma relação cromossômica).
Diagnóstico
Afastar anomalias do trato genitourinário por meio de exame clínico, exames de radioimagem e laboratoriais.
Tratamento
Psicoterapia, orientação de pais e terapia familiar
Intervenções comportamentais: micção programada, diário miccional noturno adaptado a criança, medidas adequacionais relacionadas a hidratação e alimentação, despertador, sinalizador, exercícios para a conscientização da musculatura do assoalho pélvico, biofeedback, entre outras.
Medicamentoso: desmopressina (DDAVP), imipramina, oxibutinina.


Encoprese (perda de fezes - incontinência anal)
O termo encoprese é utilizado para denominar uma situação de defecação inadequada, na qual a criança evacua em locais socialmente impróprios. Isso ocorreria numa época onde a criança teria idade de fazê-lo - (> 3 anos). Não está associado a nenhuma alteração patológica para explicar o fato.
É uma desordem que causa muito sofrimento e constrangimento a criança, ocasionando baixa autoestima e retraimento, principalmente quando são severamente punidas (fisica e psicológica) pelos pais e estes não estão disponíveis para interceder no tratamento da criança.
Para estudiosos do assunto, a encoprese é um transtorno psicofisiológico do sistema digestório, no qual se constata a existência de uma importante interação entre eventos ambientais, 'hábitos comportamentais, experiências emocionais e fisiologia anorretal.
Um fator importante que contribui com a encoprese é a obstipação intestinal. Neste caso, as fezes tornam-se volumosas e endurecidas, associada a grande produção de muco. 
A encoprese pode ser classificada: primária (quando a criança nunca desenvolveu continência), secundária (quando o distúrbio se desenvolve após um período em que houve o estabelecimento da continência das fezes (em crianças maiores de 4 anos).
Não se pode deixar de destacar que eventos sociais, viagens, férias, mudanças, nascimento de irmãozinho, ida a escola, entre outras podem influenciar no hábito intestinal.
Outra classificação é também empregada - retentiva: contipação com acidentes diários de pequenas manchas de líquido e movimentos intestinais pouco frequentes e não retentiva (resultado de estresse).
A encoprese é mais comum em meninos que em meninas (4:3).
Causas
Dor secundária a eliminação de fezes volumosas e endurecidas, com possibilidade de formação de fissuras, hemorróidas e sangramento.
Perda temporária do reflexo evacuatório.
Alimentação pobre em frutas, verduras, grãos e baixa ingesta de líquido.
problemas da ordem emocional.
Tratamento
Multiprofissional: adequação alimentar e hídrica, recuperação do refléxo gastro-cólico, diário evacuatório, exercícios da musculatura do assoalho pélvico. Técnicas de relaxamento,
Psicoterapia, orientação de pais e terapia familiar
Medicamentoso: após minuciosa avaliação médica para descartar outras doenças com repercussão no intestino.


Transtorno de Humor
Os transtornos de humor ou afetivos (transtorno depressivo, transtorno distímico, transtornobipolar, transtorno ciclotímico, transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de ansiedade de separação), aparecem quando o indivíduo experimenta dificuldades de mudar ou controlar os estados de humor, causando desadaptação e dificultando sua relação com o meio. Os transtornos de humor variam da depressão profunda a mania descontrolada.



Transtorno Depressivo Infantil
Durante muito tempo a depressão infantil e na adolescência foi questionada. Vários autores acreditavam que a depressão era um problema que aparecia no final da adolescência. Entretanto, nos dias atuais, sabe-se que os transtornos de humor podem incidir desde as idades mais tenras e com características específicas.
Quanto a prevalência, estudos americanos apontam uma incidência de depressão em; cerca de 1% dos pré-escolares, quase 2% em crianças na fase escolar e em aproximadamente 5% em adolescentes. Interessante ressaltar que o sintoma mais comum é o aumento do apetite (25%) e insônia (30 a 60%). Na criança em fase pré-puberal, observa-se preponderância de sintomas relacionados a agitação, queixas somáticas (dores) e nos adolescentes a sensação de infelicidade, alteração de peso e hipersonia são pontualmente incidentes. O diagnóstico é clínico.
Lista de sintomas de acordo com o desenvolvimento infantil
Bebês
 Sorriem pouco ou choram com muita freqüência, sendo difícil acalmá-los
 Ganham pouco peso (não associado a outra enfermidade)
 Problemas para comer e dormir
 Distúrbios digestivo (obstipação / diarréia)
 Inquietude, irritabilidade, sensibilidade exacerbada a ruídos ou toque
Crianças
 Tristeza persistente, negatividade, reclamação de tédio, falta de iniciativa
 Desobediência constante
 Facilmente se frustram, choram com freqüência, exibem baixa auto-estima, e são excessivamente sensíveis
 Incapacidade em prestar atenção, lembrar ou tomar decisões
 Distraem-se com facilidade, esquecem o que estavam pensando
 Problemas de alimentação e de sono
 Preocupação ou medo crônico
 Podem urinar na cama
 Apresentarem obstipação ou diarréia
 Impulsividade com predisposição a acidentes
 Podem demonstrar sintomas físicos: dor de cabeça, tontura, dores pelo corpo
 Compulsão em roer unhas
Adolescentes
 Tristeza persistente, acompanhada de negatividade, irritabilidade
 Raiva e acesso de fúria
 Excesso de auto-crítica, culpa injustificada e baixa auto-estima
 Incapacidade para concentrar-se, pensar ordenadamente e tomar decisões
 Perda de interesse em atividades antes prezerosas
 Poça energia, fadiga e alteração do peso
 Preocupação em demasia e excesso de medos
 Pensamentos e fascínio por armas
 Sintomas físicos: dor de cabeça, tontura, dores pelo corpo
 Compulsão em roer unhas
Tratamento
Psicoterapia, orientação de pais, terapia familiar
Medicamentoso após criteriosa avaliação médica


Transtorno Distímico
O transtorno distímico é crônico e se caracteriza pela presença de um humor deprimido - ou irritável em crianças e adolescentes, durante a maior parte do tempo do dia e na maioria dos dias. Apresenta sintomatologia mais leve que a depressão, mas com prejuízos para o portador do transtorno. O termo distimia significa mal-humor e antes de 1980 era conhecido como neurose depressiva. Quanto a prevalência, alguns autores sugerem que a grande maioria dos pacientes distímicos poderão vir a exibir outro quadro psiquiátrico, como a depressão. A distimia exibe sintomas de leve a moderado com início na infância ou adolescência, que podem interferir nos processos naturais envolvidos na formação da personalidade. Poucos distímicos são tratados, pois os pais não identificam a origem do problema, ou porque o adolescente não acredita que os sintomas, por ele apresentado, façam parte de uma condição médica, ou seja, uma doença. Quando existe a procura por um especialista, é devido as queixas relacionada a cansaço, fadiga, alterações do sono e dores difusas.
As crianças com distimia estão sempre reclamando, não acham nada bom ou satisfatório. Essas manifestações devem ser diferenciadas das crianças mimadas porque essas reagem com interesse e alegria a certas coisas que lhes agradam e as distímicas não. Ao contrário dos adultos as crianças deprimidas podem não reconhecer que estão deprimidas simplesmente por não saberem o que é depressão, a criança vê que algo não está bem com ela mas atribui as causas sempre externamente a si pois ainda não conhece a si mesma de forma satisfatória. Muitas vezes a distimia da infância só é identificada na idade adulta quando o paciente em torno dos seus trinta anos de idade resolve procurar um psiquiatra para tentar resolver essa situação de uma vez por todas ou porque leu a respeito em algum lugar e identificou-se com o quadro. Nessa ocasião é comum o relato de que sente-se um pouco triste tão longe quanto a memória alcança. Provavelmente quando criança os pais desses pacientes não se deram conta ou não tinham como se dar conta de que seu filho tinha um transtorno do humor, passível de tratamento o que poderia proporcionar uma vida mais promissora no futuro.
As características sintomatológicas da distimia em crianças se assemelham a dos adultos.
Sintomas
 Falta de apetite ou apetite em excesso
 Insônia ou hiperssonia
 Falta de energia ou fadiga
 Baixa auto-estima
 Empobrecimento do rendimento escolar e social
 Dificuldade em concentrar-se ou tomar decisões
 Sentimento de falta de esperança
 Dores difusas
 Brigas freqüentes com coleguinhas e amigos
 Mal humor freqüente
Tratamento
Psicoterapia, orientação de pais e terapia familiar
Medicamentoso: após criteriosa avaliação médica. As medicações já testadas e aprovadas para o tratamento das depressões na infância e adolescência são a imipramina, clomipramina, maprotilina, amitriptilina e nortriptilina. Mais recentemente a fluoxetina, a sertralina, a paroxetina, a venlafaxina e o citalopram.


Transtorno Bipolar
O transtorno afetivo bipolar era denominado até bem pouco tempo de psicose maníaco-depressiva.
A alternância de estados depressivos com maníacos é a tônica dessa patologia.
Tipos

Aceita-se a divisão do transtorno afetivo bipolar em dois tipos: o tipo I e o tipo II. O tipo I é a forma clássica em que o paciente apresenta os episódios de mania alternados com os depressivos. As fases maníacas não precisam necessariamente ser seguidas por fases depressivas, nem as depressivas por maníacas. Na prática observa-se muito mais uma tendência dos pacientes a fazerem várias crises de um tipo e poucas do outro. Há pacientes bipolares que nunca fizeram fases depressivas e há deprimidos que só tiveram uma fase maníaca enquanto as depressivas foram numerosas. O tipo II caracteriza-se por não apresentar episódios de mania, mas de hipomania com depressão.
Fase maníaca
Tipicamente leva uma a duas semanas para começar e quando não tratado pode durar meses. O estado de humor está elevado podendo isso significar uma alegria contagiante ou uma irritação agressiva. Junto a essa elevação encontram-se alguns outros sintomas como elevação da auto-estima, sentimentos de grandiosidade podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes e capacidades únicas como telepáticas por exemplo. Aumento da atividade motora apresentando grande vigor físico e apesar disso com uma diminuição da necessidade de sono. O paciente apresenta uma forte pressão para falar ininterruptamente, as idéias correm rapidamente a ponto de não concluir o que começou e ficar sempre emendando uma idéia não concluída em outra sucessivamente: a isto denominamos fuga-de-idéias.. O paciente apresenta uma elevação da percepção de estímulos externos levando-o a distrair-se constantemente com pequenos ou insignificantes acontecimentos alheios à conversa em andamento. Aumento do interesse e da atividade sexual. Perda da consciência a respeito de sua própria condição patológica, tornando-se uma pessoa socialmente inconveniente ou insuportável. Envolvimento em atividades potencialmente perigosas sem manifestar preocupação com isso. Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia o que não significa uma mudança de diagnóstico, mas mostra um quadro mais grave quando isso acontece.
Fase depressiva
É de certa forma o oposto da fase maníaca, o humor está depressivo, a auto-estima em baixa com sentimentos de inferioridade, a capacidade física esta comprometida, pois a sensação de cansaço é constante. As idéias fluem com lentidão e dificuldade, a atenção é difícil de ser mantida e o interesse pelas coisas em geral é perdido bem como o prazer na realização daquilo que antes era agradável. Nessa fase o sono também está diminuído, mas ao contrário da fase maníaca, não é um sono que satisfaça ou descanse, uma vez que o paciente acorda indisposto. Quando não tratada a fase maníaca pode durar meses também.
Quando pensamos em crianças, o transtorno bipolar é uma condição grave que afeta consideravelmente a vida da crianças e adolescentes acometidos. Apresenta como característica principal a fase maníaca. A prevalência é de 1% da população infanto-juvenil e acredita-se que a distribuição seja igual entre meninas e meninos. Na maioria dos casos existe uma história de transtorno bipolar na família, ou ainda o relato de um primeiro episódio depressivo na criança, precedendo o surto maníaco.
Sintomas
 Tempestades emocionais
 Irritabilidade
 Ataques de fúria
 Impulsividade
 Dificuldade nos relacionamentos
 Brigas com colegas e amiguinhos
 Sintomas de oposição e desafiadores
 Piora do desempenho na escola
 Grande dificuldade de concentração
 Hiperatividade
 Agressividade
 Labilidade afetiva
 Auto-estima aumentada
 Hiperssexualização
 Insônia
 Excitabilidade
 Verborragia (falar demais0
 Oscilação do humor (chora, ri, agressividade) ao mesmo tempo
 Fala acelerada
 Agitação motora
 Pensamentos mágicos com idéias de grandeza, riqueza e poder
Tratamento
Psicoterapia, orientação de pais e terapia familiar
Medicamentoso: após criteriosa avaliação médica: O lítio é a medicação de primeira escolha, mas não é necessariamente a melhor para todos os casos. Freqüentemente é necessário acrescentar os anticonvulsivantes como o tegretol, o trileptal, o depakene, o depakote, o topamax.


Transtorno Ciclotímico
A ciclotimia é um transtorno crônico flutuante, ou seja, ora melhora, ora piora tanto para elevação do humor ou irritabilidade como para depressão leve ou períodos de normalidade. Este problema é encontrado entre 0,4 a 1% da população geral, dentre os transtornos do humor é um de pequena prevalência.
Há um risco de aproximadamente 15% das pessoas ciclotímicas tornarem-se bipolares.
Existe uma influência familar, quanto mais próximo do grau de parentesco maiores as chances de adquirir a patologia.
Um dos transtornos psiquiátricos que se confundem com o transtorno ciclotímico é o transtorno de personalidade borderline que também se apresenta com alterações frequentes do humor além de outras alterações que se diferenciam da ciclotimia.
Para alguns autores, o transtorno ciclotímico, é em termos sintomáticos, uma forma leve de transtorno bipolar, pois se caracteriza por episódios de hipomania e de depressão leve.


Transtornos de Ansiedade
A característica maior deste transtorno é a ansiedade. A ansiedade é um sentimento de apreensão desagradável, vago, acompanhado de sensações físicas como vazio (ou frio) no estômago (ou na espinha), opressão no peito, palpitações, transpiração, dor de cabeça, ou falta de ar, dentre várias outras.

A ansiedade é um sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes e capacita o indivíduo a tomar medidas para enfrentar ameaças. O medo é a resposta a uma ameaça conhecida, definida; ansiedade é uma resposta a uma ameaça desconhecida, vaga.
A ansiedade prepara o indivíduo para lidar com situações potencialmente danosas, como punições ou privações, ou qualquer ameaça a unidade ou integridade pessoal, tanto física como moral. Desta forma, a ansiedade prepara o organismo a tomar as medidas necessárias para impedir a concretização desses possíveis prejuízos, ou pelo menos diminuir suas conseqüências. Portanto a ansiedade é uma reação natural e necessária para a auto-preservação. Não é um estado normal, mas é uma reação normal, assim como a febre não é um estado normal, mas uma reação normal a uma infecção. As reações de ansiedade normais não precisam ser tratadas por serem naturais e auto-limitadas. Os estados de ansiedade anormais, que constituem síndromes de ansiedade são patológicas e requerem tratamento específico. Os animais também experimentam ansiedade. Neles a ansiedade prepara para fuga ou para a luta, pois estes são os meios de se preservarem.
A ansiedade é normal para o bebê que se sente ameaçado se for separado de sua mãe, para a criança que se sente desprotegida e desamparada longe de seus pais, para o adolescente no primeiro encontro com sua pretendente, para o adulto quando contempla a velhice e a morte, e para qualquer pessoa que enfrente uma doença. A tensão oriunda do estado de ansiedade pode gerar comportamento agressivo sem com isso se tratar de uma ansiedade patológica. A ansiedade é um acompanhamento normal do crescimento, da mudança, de experiência de algo novo e nunca tentado, e do encontro da nossa própria identidade e do significado da vida. A ansiedade patológica, por outro lado caracteriza-se pela excessiva intensidade e prolongada duração proporcionalmente à situação precipitante. Ao invés de contribuir com o enfrentamento do objeto de origem da ansiedade, atrapalha, dificulta ou impossibilita a adaptação.


Fobia Social
As crianças normalmente são tímidas e envergonhadas, principalmente quando diante de pessoas desconhecidas. Um quadro fóbico social infantil tem muito menos chances de ser identificado nas crianças do que nos adultos. Esses apesar de terem informações e notarem que são diferentes das outras pessoas no que diz respeito ao comportamento social, quase sempre se aceitam como são, com os problemas que a ansiedade social impõem. Se os adultos que podem procurar médicos e verificar o que está se passando com eles mesmos na maioria das vezes não o fazem, o que se pode esperar das crianças?
A fobia social também resulta em uma evitação de grupos, mas ao invés de originar-se de algum medo vago de perder o controle, o transtorno é em geral embasado no medo irracional do indivíduo de que se comportará de forma constrangedora e então será criticado pelos demais.
A fobia social infantil ou timidez patológica é uma condição comportamental em que a criança apresenta medo, ansiedade e grande timidez ao se expor em situações sociais. Pode ser decorrente de enurese, encoprese ou outros distúrbios que expõe a criança de alguma maneira a críticas ou comentários destrutivos perante a própria criança ou a outrem. Prevalência, atinge cerca de 5% da população infanto-juvenil e o início pode ser ao redor dos 6 anos e a incidência é maior em meninos.
Sintomas
 Choraram e se escondem atrás da porta ou atrás de seus pais quando confrontadas com situações que causam medo ou insegurança (ir a escola, consultas médicas, festinhas), quando são pequenas
 Comportamento evitativo na escola
 Dificilmente pedem ajuda na escola para evitar auto-exposição e críticas
 Não participam de atividades esportivas em grupo
 Negam-se a participar de atividades escolares com apresentação em público
 Evitam festinhas
 Evitam diálogo com outras pessoas
 Manifestações somáticas: rubor facial, sudorese, tremor, coração acelerado e nervosismo
Tratamento
Psicoterapia, orientação de pais


Mutismo Seletivo
O mutismo seletivo consiste na incapacidade da criança em falar e se comunicar verbalmente em determinadas situações, interferindo no funcionamento acadêmico e social.
São crianças que apresentam sintomas de ansiedade na presença de pessoas de fora de seu círculo de confiança.
são capazes de conversar normalmente com os pais ou professores, mas na presença de visitas, novos colegas e pessoas desconhecidas, tornam-se mudas.
As vezes os sintomas de ansiedade (vide texto transtorno de ansiedade) não são identificados na criança pelos pais, pois ela reage a ansiedade ficando muda, parada, semelhante a expressão "papel de parede".
O principal sintoma é o mutismo = ficar muda, não falar nada.
Tratamento
Psicoterapia individual, orientação de casal e familiar
Medicamentoso: somente com criteriosa avaliação médica.


Fobia Específica
Uma fobia específica envolve um medo irracional em relação a um objeto ou situação. É diferente de ter medo de multidão (agorafobia) ou critica pessoal (fobia social).

A característica fundamental desse distúrbio é o medo excessivo e sem explicação racional de um objeto, pessoa, ou situação, com manifestação de ansiedade e comportamentos de evitação. É preciso salientar, que a fobia específica difere do medo normal, experienciado diante de situações de perigo real ou aprendido no processo educacional.
A fobia específica infantil: a exposição da criança ou adolescente à situação temida é capaz de desencadear resposta ansiosa imediata. Essa resposta está frequentemente associada a sintomas somáticos como nervosismo, choro, ataques de pânico e irritabilidade.
O comportamento evitativo e a ansiedade antecipatória causadas pelo medo de enfrentar situações temidas, interferem significantemente na rotina acadêmica, ocupacional e nas relações familiares da criança, bem como, nas atividades sociais e escolares.
A prevalência da fobia simples varia de 2,4% a 9,2% e em adolescentes este índice pode subir para 3,6% a 4,7%. No caso da fobia específica de início precoce, esta tende a se resolver espontaneamente. As fobias de início mais tardio apresenta pior prognóstico.
Tipos de fobias
 Acrofobia: medo de lugares altos
 Algofobia: medo de dor
 Astrafobia; medo de tempestade
 Claustrofobia; medo de lugares pequenos e fechados
 Hematofobia; medo de sangue
 Monofobia: medo de ficar sozinho
 Misofobia: medo de contaminação
 Nictofobia: medo da noite
 Octofobia; medo de multidão
 Patofobia; medo de doenças
 Zoofobia: medo de animais e insetos
Avaliação dos medos mais freqüentes com a idade
Idade                                               Medos
0-2 anos Barulhos, perda brusca da base, estranhos, separação pais, feridas, animais, escuro
3-5 anos Barulho, separação, animais, escuro, palhaço
6-8 anos Separação, animais, escuro, bruxas, fantasma, tempestade, solidão
9a12 anos Animais, tempestade, provas e trabalhos escolares, aspecto físico, morte, relações sociais
13-18 anos Animais, aspecto físico, relações sociais, morte
Sintomas: todos relacionados a evitação acompanhados de aumento da freqüência respiratória, aumento do batimento cardíaco, suar frio e comportamentos fugidios (se esconder, ficar atras das pernas da mãe, choro desmedido).
Tratamento: psicoterapia, orientação de pais e terapia familiar
Medicamentoso: após criteriosa avaliação médica.


Transtorno de Ansiedade Generalisada Infantil
TAGI é caracterizada por grande e excessiva preocupação ou ainda, por ansiedade intensa para controlá-la. Essas preocupações causam dificuldade no funcionamento social, acadêmico e familiar . O transtorno está relacionado com sentimento de apreensão e dúvida, cansaço, fadiga e tensão muscular. Pode ainda ser concomitante ao distúrbio do sono, dificuldade de concentração e irritabilidade.
As crianças e adolescentes com TAGI apresentam grande preocupação frente a eventos futuros, relacionamento com colegas e múltiplos assuntos. É como se o mundo fosse repleto de perigos e problemas. Estão sempre valorizando os problemas, as desgraças e adoram notícias desastrosas. São negativistas e estão sempre no aguardo de catástrofes. A prevalência é de 25 a 4% da população infantil e é predominante em meninas.


Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)

Pode ser definido como uma psicopatologia desenvolvida em resposta a um evento estressor que tenha envolvido sensação individual de medo intenso, impotência ou horror. Esse transtorno se apresenta não somente após ter vivido uma experiência traumática extrema, podendo ter apenas testemunhado um acontecimento horrendo.
Os acontecimentos produtores do transtorno incluem: desastres naturais, acidentes aéreos, automobilísticos, incêndios, violência física, emocional, abuso sexual, sequestro, entre outros.
Nem todas as vítimas de eventos estressores desenvolvem TEPT, uma vez que fatores individuais, biopsicossociais também influenciam o desenvolvimento deste transtorno.
A tríade sintomatológica que caracteriza o TEPT envolve a revivência do evento traumático, evitação a estímulos relacionados ao trauma, presença contínua de hiperestimulação autonômica.
Sintomas
 Costumam começar nos 3 primeiros meses após o trauma, embora o seu surgimento possa ocorrer meses ou anos após a experiência traumática
 Vazio emocional (desapegadas ou afastadas de outras pessoas)
 Perda de interesse em atividades habituais
 Dificuldade em iniciar e manter o sono, pesadelosrecorrentes
 Hipervigilância e dificuldade de concentração
 Diferentes graus de agressividade
 Comportamentos regressivos
 Mutismo
 Enurese
 Dores: abdominal, cabeça
 Depressão
 Ansiedade
Tratamento: psicoterapia, orientação de pais e terapia familiar
Medicamentoso: após criteriosa avaliação médica


Transtorno Obsessivo-Compulsivo Infantil
Consiste basicamente na presença de obsessões e compulsões que acometem o indivíduo e prejudicam o seu funcionamento em diversos âmbitos (social, escolar e familiar).


As obsessões e compulsões formam um esquema repetitivo de pensamentos intrusivos e estratégias para o alívio da ansiedade que estes geram, em um circulo vicioso, difícil de ser interrompido pelo indivíduo. Importante lembrar que as compulsões e obsessões não estão só presentes no TOC, podendo ser visto em outras patologias como, a demência, esquizofrenia e depressões.
As obsessões são pensamentos intrusivos que invadem a mente do sujeito e fazem com que ele sofra constantemente. Os pensamentos são involuntários e o indivíduo passa a controlar e vigiar seus pensamentos e a despender um grande esforço para evitar os pensamentos de conteúdo obsessivo, e, muitas vezes sem sucesso.
As compulsões ou rituais são comportamentos que aparecem como resposta as obsessões a partir das crenças do paciente. A compulsão não gera prazer em si, mas sim, alívio da ansiedade e da aflição provocada pelas obsessões.
Os temores parecem ser também um aspecto importante nesse contexto, pois podem causar perturbações capazes de limitar a vida do indivíduo. Exemplo: se eu não fizer tal coisa, minha mãe vai morrer – são crenças sem fundamento ou racionalidade.
Prevalência: a idade média do início dos sintomas é por volta dos 6 a 11 anos e acomete de 2% a 2,5% da população.


Referências

Marcelli, Daniel e Cohen, David. Infância e psicopatologia. Ed. Artmed, 2009.
Abreu, Cristiano. Síndromes psiquiátricas. Ed. Artmed, 2006.